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sexta, 04 de abril de 2025
Saúde

Refluxo esofágico tem nova classificação, que deve melhorar o diagnóstico

Eduardo Grecco fala sobre um problema que afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, todos sofrendo com problemas de refluxo

01 Abr 2025 - 20h04Por Assessoria de Imprensa/USP
Radiografia em que se observa o contraste no esófago devido a refluxo grave – Foto: Steven Fruitsmaak via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 - Radiografia em que se observa o contraste no esófago devido a refluxo grave – Foto: Steven Fruitsmaak via Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 -

Quem nunca teve aquela sensação de ter comido algo que parece não ter caído muito bem no estômago ? Aquela azia, mal estar, a sensação do alimento ingerido voltar para a boca. É  o chamado refluxo, que nada mais é quando o resto de alimentos fica no canal do esôfago, dando aquela sensação de que a comida não caiu tão bem. E é isso mesmo que acontece. O conteúdo do estômago retorna para a boca através do esôfago.  O professor Eduardo Grecco, especialista em endoscopia digestiva alta pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, diz que o esôfago deve ter uma atenção especial, já que ele é responsável pela condução do alimento ao estômago, fundamental para a boa digestão. “O esôfago não está preparado para receber o ácido gástrico. O ácido gástrico está lá dentro, porque dentro do estômago existe uma barreira de muco, onde o ácido é protegido, só que essa barreira protege o estômago. No esôfago não existe essa barreira de muco. Então quanto menos tempo ficar, melhor”, orienta.

Cerca de 20 milhões de brasileiros sofrem com problemas de refluxo.  A partir de agora, contudo, existe uma nova classificação do refluxo, justamente para assegurar aos pacientes que sofrem com o problema um tratamento mais assertivo.

Cuidados preventivos

Os cuidados para evitar essa sensação desconfortável vão desde o consumo de  alimentos leves, mastigação adequada, evitar refeições pesadas  antes de dormir, além de abandonar o cigarro. “O mais importante é que as pessoas, assim que têm os sintomas do refluxo – queimação, pirose, dor no peito, dor retroesternal, isso pode evoluir  para quadros de tosse, rouquidão, pigarro, é importante procurar o médico. O grande erro das pessoas é que  começam a tomar medicação que algum amigo indica e essas medicações são extremamente potentes”, segundo o especialista. 

Esse refluxo pode ter diversos diagnósticos,  por isso foi feita uma nova classificação para melhorar o tratamento de quem tem a doença. “Essa mudança veio para apenas normatizar o que já existe. Criar scores para facilitar a classificação dos pacientes. Então existia uma classificação de esófago – esofagite erosiva, esofagite não erosiva. Só que em cima disso agora, dependendo do perfil do paciente, vai ser feito um score, uma classificação com uma espécie de pontuações e onde nesse score você consegue classificar melhor esse tipo de refluxo. Porque às vezes o paciente pode ter um refluxo ocasional e não propriamente dito uma doença. E aí, em cima disso, hoje os pacientes vão ser muito mais bem avaliados”, explica. 

O gastrocirurgião e endoscopista diz que  é muito importante identificar o tipo de refluxo e como ele deve ser tratado para evitar que  evolua para quadros mais graves, como úlceras ou câncer de esôfago. Os dois exames são a Manometria e PHmetria, “que  conseguem nos ajudar a determinar se esse refluxo é ácido, não ácido e gasoso.  A orientação é procurar o médico ao menor sinal de pigarro ou tosse constante”, adverte. 

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