
Quem nunca teve aquela sensação de ter comido algo que parece não ter caído muito bem no estômago ? Aquela azia, mal estar, a sensação do alimento ingerido voltar para a boca. É o chamado refluxo, que nada mais é quando o resto de alimentos fica no canal do esôfago, dando aquela sensação de que a comida não caiu tão bem. E é isso mesmo que acontece. O conteúdo do estômago retorna para a boca através do esôfago. O professor Eduardo Grecco, especialista em endoscopia digestiva alta pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, diz que o esôfago deve ter uma atenção especial, já que ele é responsável pela condução do alimento ao estômago, fundamental para a boa digestão. “O esôfago não está preparado para receber o ácido gástrico. O ácido gástrico está lá dentro, porque dentro do estômago existe uma barreira de muco, onde o ácido é protegido, só que essa barreira protege o estômago. No esôfago não existe essa barreira de muco. Então quanto menos tempo ficar, melhor”, orienta.
Cerca de 20 milhões de brasileiros sofrem com problemas de refluxo. A partir de agora, contudo, existe uma nova classificação do refluxo, justamente para assegurar aos pacientes que sofrem com o problema um tratamento mais assertivo.
Cuidados preventivos
Os cuidados para evitar essa sensação desconfortável vão desde o consumo de alimentos leves, mastigação adequada, evitar refeições pesadas antes de dormir, além de abandonar o cigarro. “O mais importante é que as pessoas, assim que têm os sintomas do refluxo – queimação, pirose, dor no peito, dor retroesternal, isso pode evoluir para quadros de tosse, rouquidão, pigarro, é importante procurar o médico. O grande erro das pessoas é que começam a tomar medicação que algum amigo indica e essas medicações são extremamente potentes”, segundo o especialista.
Esse refluxo pode ter diversos diagnósticos, por isso foi feita uma nova classificação para melhorar o tratamento de quem tem a doença. “Essa mudança veio para apenas normatizar o que já existe. Criar scores para facilitar a classificação dos pacientes. Então existia uma classificação de esófago – esofagite erosiva, esofagite não erosiva. Só que em cima disso agora, dependendo do perfil do paciente, vai ser feito um score, uma classificação com uma espécie de pontuações e onde nesse score você consegue classificar melhor esse tipo de refluxo. Porque às vezes o paciente pode ter um refluxo ocasional e não propriamente dito uma doença. E aí, em cima disso, hoje os pacientes vão ser muito mais bem avaliados”, explica.
O gastrocirurgião e endoscopista diz que é muito importante identificar o tipo de refluxo e como ele deve ser tratado para evitar que evolua para quadros mais graves, como úlceras ou câncer de esôfago. Os dois exames são a Manometria e PHmetria, “que conseguem nos ajudar a determinar se esse refluxo é ácido, não ácido e gasoso. A orientação é procurar o médico ao menor sinal de pigarro ou tosse constante”, adverte.