
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) concluiu, na semana passada, as investigações sobre um quarteto criminoso supostamente liderado por M.M.R., 26 anos, conhecido como “Mandrak”. Ele seria responsável por um violento roubo a uma residência ocorrido na tarde de 5 de janeiro deste ano, na região central de São Carlos. Parte do grupo também teria cometido outro assalto, no qual um adolescente de 16 anos, morador da região oeste, foi atraído para uma falsa compra de uma motocicleta de trilha. O jovem foi levado em uma Parati verde, onde foi roubado, forçado a transferir dinheiro via Pix e entregar seus pertences. Em seguida, foi abandonado às margens da rodovia, na área leste de São Carlos.
PARATI
O delegado João Fernando Baptista, responsável pela investigação, informou que todos os criminosos foram identificados, restando apenas um foragido, que deve ser preso nos próximos dias. Segundo ele, a chave para desvendar os crimes estava na Parati, modelo 1984, verde, placas BQSB3H26 – São Carlos, utilizada pelo grupo, que se reunia em um barraco na rua Bruno Pauka, no bairro Antenor Garcia, de onde partiam para cometer os delitos.
ROUBO DO ADOLESCENTE
As investigações apontaram que, na noite de 1º de dezembro de 2024, um adolescente de 16 anos, que estava em uma festa em uma chácara no Jardim Embaré, aceitou, por meio de uma rede social, trocar sua bicicleta elétrica e uma quantia em dinheiro por uma motocicleta de trilha oferecida por um desconhecido. O homem afirmou que pegaria o jovem naquela noite e o levaria até onde a moto estaria. Confiando na proposta, o adolescente aceitou e marcou o encontro.
Por volta da meia-noite de 2 de dezembro, dois homens e uma criança chegaram à chácara em uma Parati verde e buscaram o adolescente. Enquanto dirigiam pela rodovia SP-310 (Washington Luís), o motorista parou no acostamento e um dos passageiros desceu alegando que iria urinar. Ao retornar ao veículo, anunciou o assalto e exigiu que o jovem entregasse sua camiseta da seleção argentina, uma corrente de prata, destravasse seu celular iPhone 14 branco e transferisse todo o dinheiro disponível via Pix para uma conta indicada pelos criminosos. Depois do roubo, o adolescente foi abandonado na região do trevo do Jardim Tangará, e os assaltantes fugiram.
ROUBO À RESIDÊNCIA
O caso foi registrado e a DIG passou a buscar os criminosos e a Parati verde. No início de 2025, o veículo voltou a aparecer em outra cena de crime, desta vez na região central de São Carlos. No final da tarde de 5 de janeiro de 2025, policiais militares foram acionados para atender a um roubo a residência. Um casal, de 20 e 21 anos, chegava em casa por volta das 16h, em um Gol da família, quando dois homens os renderam e os forçaram a entrar na residência. Sob ameaças, os criminosos roubaram objetos de valor, carregaram o Gol com os pertences das vítimas e os trancaram em um cômodo antes de fugir com o veículo.
Uma testemunha informou aos policiais que a Parati verde, com um homem ao volante, seguiu o Gol roubado. Em resposta, a polícia montou um cerco e, ainda naquela tarde, encontrou a Parati abandonada em frente ao barraco da rua Bruno Pauka, no bairro Antenor Garcia. Dentro do veículo e do barraco, foram encontrados objetos pertencentes ao casal, mas ninguém foi localizado. Após o registro do roubo, os itens e o Gol foram recuperados, e a Parati foi encaminhada ao pátio da 26ª CIRETRAN. A DIG então assumiu as investigações.
INVESTIGAÇÕES
O delegado João Fernando informou que, ao analisar imagens de câmeras, os investigadores confirmaram que a Parati verde era a mesma usada no roubo ao adolescente no final de 2024. Um dos agentes identificou M.M.R., o “Mandrak”, como um dos participantes do assalto à residência na rua Major José Inácio, na região central de São Carlos, além do roubo ao adolescente.
A investigação também apontou que o comparsa de “Mandrak” era J.S.S., 22 anos, que ajudou a render o casal e os manteve reféns. Além disso, o Setor de Inteligência da DIG descobriu a participação de um terceiro integrante, G.M.S.S., 24 anos, que dirigiu a Parati e deu cobertura à fuga do Gol do casal.
Ficou apurado que “Mandrak” e G.M.S.S. estavam com a Parati verde no roubo ao adolescente, atraindo-o com o golpe da falsa compra da motocicleta no Jardim Embaré. Um quarto integrante da quadrilha, que também teria participação ativa nos crimes, segue foragido.
PRISÕES PREVENTIVAS
Com todos os integrantes identificados, o delegado João Fernando Baptista solicitou à Justiça, em fevereiro, a Prisão Temporária dos envolvidos, pedido que foi autorizado. Na manhã de 25 de fevereiro, uma megaoperação da Polícia Civil, coordenada pela DIG, prendeu parte do grupo. A partir dessas detenções, os casos foram esclarecidos, e a participação de cada um nos roubos foi confirmada.
Com a conclusão das investigações, o delegado relatou os dois inquéritos policiais à Justiça Criminal. Após análise do Ministério Público Estadual e do Poder Judiciário, foram decretadas as Prisões Preventivas dos quatro criminosos. Três deles, que já estavam detidos, foram transferidos para o Anexo de Detenção Provisória (ADP) de Araraquara, onde aguardam julgamento. A DIG segue em busca do quarto integrante, que deve ser preso nos próximos dias.