
De acordo com a Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo (Piesp), da Fundação Seade, os investimentos na indústria paulista dobraram nos últimos três anos, atingindo R$ 82,7 bilhões no período de 2022 a 2024. O principal responsável por esse crescimento foi o setor automotivo, com investimentos que mais que triplicaram nesse período.
"A indústria automotiva tem investido fortemente na ampliação e modernização de suas fábricas, especialmente para o desenvolvimento de veículos híbridos e elétricos, acompanhando as tendências mundiais de sustentabilidade e inovação", afirma Margarida Kalemkarian, pesquisadora da Fundação Seade.
Entre os destaques estão as montadoras como Volkswagen, Toyota e Great Wall Motors (GWM), que juntas somam mais de R$ 34 bilhões em novos aportes. As empresas têm apostado principalmente na modernização de fábricas e no lançamento de veículos mais eficientes e sustentáveis.
INVESTIMENTOS EM EXPANSÃO -Além do setor automotivo, outras áreas da indústria também registraram aportes expressivos. O segmento de celulose e papel recebeu ao todo R$ 8,3 bilhões, com destaque para a Bracell. Já o setor de bebidas contou com R$ 2,5 bilhões, impulsionado em grande parte pela ampliação e modernização das unidades da Heineken em Jacareí, Araraquara, Itu e Campos de Jordão.
No período analisado, a Região Administrativa de Campinas foi a que mais recebeu investimentos industriais (R$ 26,7 bilhões), seguida pela RA de Sorocaba (R$ 14,8 bilhões), RA de Bauru (R$ 9 bilhões) e Região Metropolitana de São Paulo (R$ 6,7 bilhões). Já os investimentos inter-regionais (sem especificação de valor para cada região) totalizaram R$ 21,2 bilhões.
Esses investimentos reforçam a importância do Estado de São Paulo como um dos principais polos industriais do Brasil, promovendo inovação, geração de empregos e fortalecimento econômico.
CICLO DE MODERNIZAÇÃO – O economista Paulo Cereda afirma que a indústria automotiva está passando por um período de modernização dentro dos projetos de sustentabilidade e consolidação de veículos híbridos e elétricos. “De tempos em tempos há mudanças nos sistemas de produção. Estamos vivendo um período de readequação do mercado com novos investimentos”, explica ele.
O presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM/CUT), Erick Silva, afirma que a modernização das fábricas com propostas de descarbonização e sustentabilidade trouxeram um novo alento para as montadoras de automóveis.
“Se você verificar os investimentos das montadoras anunciadas todos para fazer eletrificação e hibridização. O foco é a mudança energética. Isso está ligado a estudos que fizemos lá atrás do modelo de motor híbrido. O Governo Federal promoveu várias ações final de 2023 e 2024. O governo age diretamente com induzir o desenvolvimento”, explica Erick.
Segundo ele, antes havia uma isenção de impostos para importação de carros elétricos. “Isso o era um absurdo. Tudo isso foi revertido, inclusive no Estado de São Paulo. Negociamos diretamente com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima. A partir de 2024 houve a reoneração de carros elétricos importados e desoneração de carros híbridos fabricados no Brasil”, comenta.
Segundo ele, as intervenções da classe trabalhadora organizada e o apoio do governo com a ampliação e tecnologia nacional fazem sentido para a indústria sucroalcooleira, para a indústria automobilística, indústria metal mecânica, indústria química e etc. “Com tudo isso, indústria cresceu mais que o PIB em 2024”, comemora ele.