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sexta, 04 de abril de 2025
História

Escola Paulino Carlos completa 120 anos de atividades

Criada com a denominação de "Grupo Escolar", o lançamento da pedra fundamental do prédio escolar contou com a presença do escritor Euclides da Cunha

01 Abr 2025 - 16h25Por Da redação
Escola Paulino Carlos fica no coração da cidade - Crédito: divulgaçãoEscola Paulino Carlos fica no coração da cidade - Crédito: divulgação

A Escola Estadual Paulino Carlos está completando, hoje, terça-feira, 1º de abril de 2025, 120 anos de atividades. Criada como Grupo Escolar em 1905, ela entrou em funcionamento com 346 alunos matriculados sob o comando do primeiro diretor o professor Aníbal Francisco Caldas. Mais tarde o estabelecimento receberia o nome de Coronel Paulino Carlos.

A hoje Escola Estadual "Coronel Paulino Carlos", encravada no coração de São Carlos, é um marco na história do ensino público na cidade seja pela sua arquitetura e localização ou pela qualidade do ensino. 

O prédio sobreviveu a investidas pela desativação e sua derrubada em momentos de reformas da Praça Coronel Salles e quase literalmente afundou, por conta do estacionamento subterrâneo construído na vizinhança (e que depois foi transformado no Museu da Ciência Professor Mário Tolentino). Existem pessoas que até hoje defendem sua desativação, já que poucas pessoas residem na região central atualmente.  

Mas a história da escola começa quatro anos antes. O lançamento da pedra fundamental do prédio escolar, realizado no dia 2 de dezembro de 1901 teve presença do escritor Euclides da Cunha, que foi um dos oradores da solenidade. O autor de "Os Sertões", então engenheiro responsável pelo 5o.Distrito de Obras Públicas, havia sido designado fiscal da construção, para a qual contratou o mestre Seraphim Corso.
Na época, a Câmara Municipal - então responsável pela administração da cidade numa espécie de “parlamentarismo municipal”, cedeu ao Grupo Escolar a face leste do largo municipal, mais tarde denominado "Praça Coronel Salles". E não apenas isso: no ano de 1904, para o término da construção, a Câmara doou a quantia de 17 contos de réis.

Na ocasião, conforme os registros históricos, o Poder Legislativo, cujo presidente era denominado como “intendente”, sentia-se no dever de atender a expansão do ensino e no direito de fiscalizar o funcionamento das escolas. Era ela que designava o Conselho Municipal de Instrução que devia apreciar os resultados finais do ensino nas escolas públicas e particulares.

Outro aspecto digno de nota é que no início do século 20 a imprensa local dava enorme destaque às atividades escolares e às sessões literárias promovidas pelas escolas. A esses eventos compareciam - e discursavam - autoridades, intendentes vereadores, juízes, promotores, vigários paroquiais e mais tarde o bispo diocesano. Nas escolas ensinavam-se português, francês, geografia, aritmética, geometria, história, física, química e botânica.
Os grupos escolares que surgiam eram definidos como "um conjunto perfeito em estabelecimentos, harmônica e logicamente concatenados".
Sobre o prédio escolar, o "Almanach Álbum" de 1915 o define como "um elegante sobrado de dois pavimentos, situado no coração da cidade, possuindo todas as dependências necessárias, conforme exige um estabelecimento de tal ordem".

A notável instituição, cuja importância para o desenvolvimento do ensino em São Carlos nunca é demais destacar, transpôs o século 20 participando da trajetória de muitas gerações de são-carlenses. Pessoas que na vida seguiram muitos caminhos, registrando em suas biografias o orgulho de, na infância, terem estudado na mais antiga escola pública da cidade.

A Escola Coronel Paulino Carlos nunca foi apenas um prédio, mas impôs-se como uma instituição que reuniu mestres conceituados e alunos que ocuparam posições de destaque na sociedade como, por exemplo, o ex-prefeito Antonio Massei, que governou a cidade em três oportunidades, e o comediante Ronald Golias, o maior divulgador da cidade no século 20 - para citar dois dos mais célebres.
O corpo docente da escola reuniu educadores uma plêiade de educadores compromissados com o ensino público - como Mildred Domingas Batiston Passeri,Maria Célia Spaziani Pereira, Ilma Marino, João Paulo Botelho Vieira Filho, Wilson Wady Cury e muitos outros. Assim como os diretores e vice-diretores como Aparecida Siqueira, dona Cecília, Esmeralda Barbosa e Walter Blanco, que durante 21 anos conduziu os destinos da instituição, entre 1981 e 2002, quando faleceu aos 61 anos.
Uma característica marcante da Escola, é o engajamento dos pais e das famílias na tarefa educacional. Assim o nome do estabelecimento será sempre relacionado a muito mais do que apenas um edifício histórico construído com a supervisão de Euclides da Cunha.

QUEM FOI PAULINO CARLOS -Fazendeiro de ativa participação no ciclo do café, o Coronel foi Comandante Superior da Guarda Nacional em São Carlos e eleito o primeiro Juiz de Paz. Também foi fundador do Partido Republicano em São Carlos (1878) e do Jornal "A Propaganda", órgão do partido. Presidiu o Congresso Republicano em São João do Rio Claro em 1884. 
Com a proclamação da República a população aclamou-o em primeiro lugar para compor o governo provisório em São Carlos. Assumiu então a chefia política da cidade de São Carlos do Pinhal. Com a morte do irmão, o Conde do Pinhal, unificou sob sua liderança a família Arruda Botelho diante dos seus rivais políticos.
Foi presidente do Banco de São Carlos e empenhou-se para que a cidade entrasse na reforma do ensino que o governo de Bernardino de Campos empreendia. Lutou pela lei 169, de 7 de agosto de 1893, instituindo a reunião de escolas públicas. O governo estadual designou-o como patrono do 1° grupo escolar.
Paulino Carlos foi constituinte da 1a Constituição da República e deputado Federal por diversas vezes de 1889 até seu falecimento em 1908.

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